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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Legado de Peter Tosh, assassinado há 30 anos, é mais relevante que nunca



Há 30 anos morria de forma trágica, aos 42 anos, o cantor Peter Tosh. No dia 11 de setembro de 1987, um trio de assaltantes invadiu a casa dele em Kingston, Jamaica, e exigiu dinheiro. O músico afirmou que não tinha nada guardado foi mantido como refém e torturado por horas. Enfurecidos, os bandidos começaram a disparar a esmo e Tosh acabou levando dois tiros na cabeça. 


Nascido Winston Hubert McIntosh, no dia 19 de outubro de 1944, em Grange Hil, Jamaica, Peter Tosh foi um dos artistas seminais no desenvolvimento do reggae. Na década de 1960, ao lado de Bob Marley e Bunny Wailer, ele fez parte do trio The Wailers, que teve papel fundamental em dar um formato moderno ao gênero. Os integrantes se lançaram em carreira solo no começo dos anos 1970. Marley transformou-se uma lenda. Tosh, embora não tenha se tornado tão icônico quanto o ex-companheiro de banda, tratou de deixar um legado de relevância gigantesca. 

Apadrinhado pelos Rolling Stones, ele começou a levar a sua mensagem para outros recantos além da Jamaica. A música dele falava da luta pelos direitos dos cidadãos do terceiro mundo e clamava pelo fim do apartheid e da brutalidade policial contra a população negra. Também pedia e legalização da maconha e reforçava os preceitos políticos e espirituais da cultura rastafári. 

Por Paulo Cavalcanti


“Legalize It” 


Até hoje é o mais conhecido hino pró-legalização da maconha. “Legalize It” foi lançada em 1976 em um álbum homônimo.




“Equal Rights” 

Canção-título do segundo álbum de Tosh, lançado em 1977, “Equal Rights” mirava no regime racista vigente na época na África do Sul, mas também falava sobre injustiças sociais em geral.





"Get Up, Stand Up" 


A música, um ícone do ativismo em geral, mesmo anos depois, foi escrita por Tosh e Bob Marley na época dos Wailers e regravada pelos três integrantes da banda em suas respectivas carreiras. A poderosa versão de Tosh foi incluída no álbum Equal Rights.




“Bush Doctor” 

Outra conhecida canção de Tosh a respeito da legalização da maconha, “Bush Doctor” deu nome ao segundo disco dele, lançado em 1978. Tosh argumenta que cigarros fazem mal à saúde, mas que a erva poderia curar diversos males.



"(You Gotta Walk And) Don’t Look Back” 

Escrita na década de 1960 pela dupla Smokey Robinson e Ronald White, a faixa acabou com o quinteto The Temptations, grande nome da gravadora Motown. Em 1978, Tosh e Mick Jagger deram uma cara nova a ela. Incluído em Bush Doctor, este remake foi um hit mundial.




"Buk-in-hamm Palace” 

Uma das faixas mais interessante de Mystic Man (1979), "Buk-in-hamm Palace” junta reggae com a batida da disco music. A letra sobre fumar maconha dentro do palácio da rainha da Inglaterra.



“Johnny B. Goode” 

A música entrou no disco Mama Africa. A versão de Tosh para o clássico de Chuck Berry ganhou as rádios em 1983. Com um som descontraído, a gravação atualizava para o universo do reggae a história do garoto que sonhava em brilhar tocando guitarra.




“Mama Africa” 

O álbum Mama Africa é o trabalho mais acessível e comercial de Peter Tosh. Ele abrandou um pouco a militância e preferiu se concentrar na música e na produção. A faixa-título é uma homenagem de Tosh ao continente.





"Rastafari Is" 


"Rastafari Is", de Wanted Dread & Alive(1981), prega as ideias do movimento religioso que se desenvolveu na década de 1930 na Jamaica. Tosh canta: "O Rastafari é o senhor dos senhores e o salvador. Ele é o onipotente e magnífico".




"No Nuclear War" 

Derradeiro álbum de Peter Tosh, No Nuclear War (1987) já mostrava o reggaeman tentando entender o som do dancehall, que dominava a Jamaica. A faixa-título era um libelo pacifista contra a guerra nuclear.




Fonte: http://rollingstone.uol.com.br

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Da Jamaica Para o Mundo, Conheça a Origem Dos Sound Systems

Outro dia colei em um rolê ali no centro de SP. O DJ só tocava vinil e a estrutura de som era várias caixas de som enormes, empilhadas uma em cima da outra e várias vertentes do reggae ecoavam. Hoje em dia esse rolê é uma maneira mais alternativa de se reproduzir as músicas para um determinado público, porém, existiu uma época, em que os Sound Systems eram a único tipo de festa em que a galera que não tinha dinheiro podia colar.
A esta época que me refiro, não falo do Brasil e sim da Jamaica 

Kingston, anos 50, a pobreza impera. As pessoas não tem dinheiro para comprar rádios e muito menos toca discos. Surgem então os Sound Systems, estruturas de som totalmente improvisadas, na rua, que reproduzem músicas para a galera.  Você ouve Jamaica e já pensa em reggae, porém os primeiros Sound Systems tocavam discos de Rhythm & Blues americanos. Somente nos anos 60, com a popularização do rocksteady, ska e reggae, os selectas (dj’s dos sound systens), começaram a investir no estilo em suas playlists.
Nos anos 70, os selectas começaram a fazer versões dub das músicas que faziam mais sucesso e, algum deles, improvisavam com rimas faladas em cima das batidas.

Da Jamaica para o Mundo

Como a Jamaica passava por um período muito ruim de grana. Nos anos 70/80, muitos jamaicanos começaram a sair fora do país, buscando melhores condições de vida. Vários destes locais eram os selectas, que levavam em sua bagagem, vinis jamaicanos e toda experiência que um anfitrião das festas de rua tem.
O maior polo de imigração Jamaicano foi a Inglaterra e também os Estados Unidos, o que eu fez com que a cultura dos Sound Systems fosse fortemente inserida, principalmente na Inglaterra. Nos Estados Unidos, o Sound System ocasionou uma revolução nas periferias. Graças a isso, jovens americanos começaram a se interessar por comandar as festas e, misturando música daqui, música de lá, aumento de grave, diversos tipos de efeito, surgiu o Hip Hop, algo que também já falamos aqui.
O mais daora dos SoundSystems é que é tudo no improviso, o selecta decide na hora o que vai tocar e tem que ser ligeiro para trocar o disco. Quando a música é pedrada, o público responde com o grito “POW POW POW” e, quando é muito pedrada mesmo, o selecta dá o grito de “Rewind” e a música começa de novo. Isso mostra uma interatividade muito louca entre dj e público, coisa que não rola em outro tipo de festa.
Conheça alguns sons que tocam nos Sound Systems:



Via : http://www.skate4life.com.br/

sábado, 17 de dezembro de 2016

O REGGAE NO CANADÁ

O reggae no Canadá começou muito similarmente como no Reino Unido e nos EUA, onde jamaicanos estabeleceram-se nos finais dos anos 1950 e 60. No início, a música foi simplesmente importada da Jamaica, mas logo começou a gravar sua própria música.Os pioneiros na cena canadense foram os grupos como The Rivals, The Sheiks, The Cougars e The Cavaliers. . Tudo remonta à época pré-reggae do ska e música rocksteady . Os quais muitas vezes se apresentam ao lado de bandas que visitavam o Canadá, como Byron Lee and The Dragonaires . Foi Toronto que se tornou o centro do reggae no Canadá, com algumas exceções em outras partes. Espaços que eram populares foram WIF (West Indian Federation) Club, Club Jamaica, Den Tiger e Blue Angel.O primeiro artista a gravar no Canadá foi Jackie Mittoo (que viveu há longos períodos), também Stranger Cole, Tony Eden, Audley Williams, Webber Sisters, Leroy Brown e Joe Issacs. Em 1974, o famoso estúdio Summer Records lançou seu primeiro single (Johnny Osbourne -Love Makes the World Go Round).Para muitos moradores e músicos jamaicanos os estúdios baseados em Ontário Summer Sound Studios  com Jerry Brown's Malton, conhecido como resposta do Canadá para a Black Ark de Lee Perry,era um refúgio criativo que tocou fundo nas profundezas da consciência universal do reggae. Localizado nos arredores de Toronto, o rótulo disparou o primeiro tiro em 1974, com "Rise Sun" de Johnnie Osborne apoiados com o salto celestial de  “Love Makes The World Go Round” (co-produzida pelo colaborador de Brown de um bom tempo e  fundador da Half Moon Records , Oswald Creary).Durante a maior parte dos anos setenta, o canadense produzido música reggae era uma entidade não-comercial, um cena underground próspera de expatriados que simplesmente fez o que veio naturalmente a eles em pequenos estúdios e danças privadas. Os registros principalmente sentaram-se despercebidos em meio ao fluxo constante de produtos jamaicanos no bando de lojas de discos independentes em Toronto que atendiam à população das Índias Ocidentais.Ao longo dos anos,é verdadeiro que diversas lendas da música reggae passaram pelo estúdio de Brown já extinto,por ninguém menos que Prince (agora King) Jammy: Jackie Mittoo, Willi Williams, Noel Ellis, Johnnie Osbourne, Stranger Cole, Leroy Sibbles e Carl Dawkins,para citar alguns.Durante os intensos os políticos e sociais turbulentos anos 1972 a 1982 na Jamaica,muitos artistas jamaicanos se mudaram para Toronto e para outros lugares no sul de Ontário. Algo que foi muito positivo para a cena local da música reggae. Alguns desses artistas foram Ernie Smith, Carlene Davis, Ken Boothe, Willie Williams, Fabienne Miranda, Joe Cooper e Lovindeer. O também produtor Prince Jammy viveu por algum tempo em Toronto, em relativa obscuridade até retornar para a Jamaica e tornando-se um personagem importante na evolução da história do reggae.Em 1976, o grupo Ishan People (que apresentou Johnny Osbourne sob o pseudônimo de Bumpy Jones) fez seu primeiro álbum pela GRT, e um segundo, seguido no ano seguinte. Foram no entanto Messenjah, Sattalites e Leroy Brown ,alguns dos poucos artistas de reggae que estavam gravando para um selo canadense principal.Leroy Sibbles(dos Heptones) mudou-se para Toronto em 1973 e lançou vários álbuns no Canadá para etiquetas como Micron, Boot, A&M e Attic. Com o apelo crescente do reggae mundial e também o reggae no Canadá ,começaram a aumentar com artistas como Nana McLean, One Love (com o guitarrista Tony Campbell), Groove Ital, Winston Hewitt , e Earth, Roots and Water.Em 1979, King Culture (que veio a Toronto há três anos) montou a sua gravadora, loja de discos e locadora de vídeo. Ele se tornou um dos mais prolíficos produtores de reggae canadense, juntamente com Jerry Brown (Ex-membro do 'The Jamaicans') da Summer Records e Oswald Creary da Half Moon .A partir dos anos 1980, uma série de artistas canadenses reggae dominou a cena musical em Vancouver (Dub Mango, Chester Miller, e Ras Lee), Montreal (Kali and Dub) e Toronto ( R. Zee Jackson , Lazo, Noel Ellis (que é filho de Alton Ellis ) Truth and Rights, Mojah, Adrian Miller, 20th Century Rebels, Jimmy Reid, Nana McLean, Blessed, Sattalites e Snow..Em 1981, em Kitchener, Ontário, o grupo Messenjah foi formado. Eram para ser reconhecidos como uma das principais bandas do reggae das raízes do Canadá.




Em 1985, Winston Hewitt fundou o Canadian Reggae Music Awards . Também os prêmios Juno introduziram a categoria de melhor reggae / calypso (mais tarde mudou para simplesmente reggae) no mesmo ano. Os sistemas de som no Canadá (sound-systems) :O sound system African Star de Stuart Brown foi formado por volta de 1980, em Toronto. Ele mudou-se para Jamaica por cerca de 1986. Leroy Sibbles tinha um sistema de som ativo no Canadá chamado Papa Melody,que caracterizou Stamma Ranking  entre outros. Em 1988, o estimado sistema de som jamaicano Metromedia fez uma turnê no Canadá...

  Andru Branch and Halfway Tree são excelentes artistas do reggae canadense,e gravaram um disco com a jamaicana The Wailers...

Artigo retirado do site: http://reggaespotlights.blogspot.com.br/2012/04/o-reggae-no-canada.html; no dia 17/12/2016

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Cultura Rasta sem Preconceito

Francisco Ronaldo Pereira, 30, já cansou de dizer aos outros que seu nome não é Bob. Não adianta. A fama do maior cantor de reggae da história chegou antes do conhecimento sobre a cultura Rastafári. Desde então, os longos rolos de cabelo embaraçado e as cores verde, amarelo e vermelho transformaram-se em sinônimo de reggae. Não só. O uso cultural da maconha como erva sagrada pelos rastafáris fez muito gente por aqui chegar à seguinte conclusão: reggae + cabelo de regueiro hippie (dreadlocks) masi as cores do reggae (da bandeira da Etiópia) = marginal.

De fato, com uma conclusão diferente, esses eram os elementos que compunham a imagem de um regueiro para o próprio Ronaldo na época em que ele apenas curtia em Fortaleza o estilo musical jamaicano. “Meu cabelo era liso, eu penteava e ficava olhando, mas com a vontade de querer ter o cabelo do Bob. Achava que o meu não ficava”, conta ele, hoje dono da oficina Bob Motos, no bairro São Bernardo.

Baterista de bandas do gênero, o cearense aos poucos começou a se aprofundar no assunto. Primeiro com as legendas de um DVD do Bob Marley; depois em conversas com rastafáris da Guiana Inglesa que passaram por aqui; até que o simples visual regueiro começou a ganhar novas dimensões.

Os rastas explicaram pra ele que os dreadlocks eram uma postura de não se cortar o cabelo baseada numa passagem bíblica. Que a maconha era uma erva sagrada, fumada como tal. que eles não comiam carne, não bebiam álcool, nem fumavam tabaco. Que a África era o berço da humanidade, que o passado negro deveria ser valorizado e que Hailé Selassiê (1892-1975), o antigo imperador da Etiópia, era considerado a encarnação de Deus na terra.

Tempos depois, largou o álcool, parou de fumar e usar outras drogas. Virou rasta, encontrou-se no plano espiritual, e se deparou não apenas com o preconceito contra regueiros, velho conhecido seu, mas com o desconhecimento sobre os rastafáris.

Virgínia Soares, 29, que viveu todo esse processo ao lado de Ronaldo, por várias vezes teve de ir sozinha ao encontro dos locadores de pontos comerciais. A pele alva, o cabelo loiro e os olhos azuis dela facilitavam a negociação.

“Eu botava uma roupinha toda socialzinha e alugava na hora, mas pra ele, não. Esse foi um dos maiores preconceitos que a gente enfrentou. Tudo que é pra resolver com o sistema, com banco, documento, essas coisas todas, quando é ele é mais difícil”, relata Virgínia.

Devido ao seu estilo de antes, sua cultura de hoje, Ronaldo já passou pelo preconceito da família, por abordagem policial, pela difamação da vizinhança e, cotidianamente, ainda se depara com reações arredias de pessoas em espaços públicos.

“Uma vez levei meu filho ao hospital e o médico olhou pra mim e disse: Por que você não vai tirar essa sua barba?!”, conta ele. “Muita gente diz que eu sou assassino, que eu sou traficante, dizem que eu sou bandido, aí acaba gerando um temor nas pessoas, que não querem conversar comigo... Muitas pessoas aqui na oficina já vieram me dizer: ‘Ronaldo, eu não sabia que você era assim, quem vê você, não imagina como você é’’.

A touca

Em Fortaleza, como ressalta Virgínia, existem muitas pessoas com dreads, mas poucos rastafáris. Contam-se nos dedos de duas mãos os integrantes do grupo que se encontra uma sexta por mês para discutir os preceitos da cultura na cidade. Um dos mais novos é o primogênito do casal, Ronaldo Jr, que completou 14 anos mês passado. Aos nove, Naldinho pediu para fazer os dreadlocks, seguindo os passos do pai e, de uma forma parecida, estranhando o restante da sociedade.

Mais de uma vez o estudante da Escola Municipal Professora Angélica Gurgel, em Messejana, já foi barrado na entrada da instituição de ensino pelo uso da touca, utilizada para guardar os longos cabelos. “Logo na entrada ela fica lá, aí quando eu entro com a touca, ela manda tirar e, como eu não tiro, manda pra casa”, conta o garoto.

Sandra Lúcia, diretora da escola de Ensino Fundamental 1 e 2 que possui aproximadamente 890 alunos, explica que o regimento da instituição proíbe o uso de qualquer adereço na cabeça, tais como boné, boina etc.

“É uma das regras que era até colocada pela polícia antigamente, porque as pessoas muitas vezes usavam isso pra colocar droga”, diz Sandra, que acrescenta a reação agressiva do aluno ao pedido como outro problema grave.

Por outro lado, a diretora conta também que desconhecia a simbologia cultural da touca, apresentada para ela pelo próprio pai do menino em conversa semana passada. “Ele me mostrou um outro ponto para o qual a gente nunca tinha atentado, que é a questão cultural. Pra mim a boina era o modismo do momento e não é, de fato é cultural”, reconhece.

Como explica o rastafári Oteldino Monteiro, 28, estudante cabo-verdiano que mora há um ano e meio em Fortaleza, a touca, assim como o turbante, é um elemento da cultura africana e serve também de proteção para o cabelo dos rastafáris: “O (dread) lock atrai energia negativa e positiva, então a maneira de protegê-lo é cobrindo. Por outro lado, qualquer um que começa a criar o lock, começa por uma razão espiritual. Ele existe não pra sociedade inteira, mas porque assumi um contrato com Jah”.

Naldinho também tem outra razão para o uso do adereço: “Uso também porque o pessoal fica tirando onda comigo. Quando eu tiro a touca, eles vêm frescar”.

Apesar das brincadeiras, como chamá-lo de Bob Marley também, no geral o maior preconceito vêm dos adultos, é o que garante o pai: “Eu fico em alto nível quando entro no mercantil, que o pai daquela criança olha pra mim com aquele preconceito e a criancinha: ‘Olha mãe! Eu quero uma touca dessa aqui, é bonita a toca dele’. Eu gosto muito das crianças, porque elas tiram o preconceito do adulto”. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Um Livro que o regueiro precisa ler - O Eterno Verão Do Reggae

Todo o trajeto desse som fascinante que se espalhou pelo mundo a partir dos anos 1970. Das origens de Bob Marley ao raggamuffin, chegando à São Luís do Maranhão, da Tribo de Jah, e às praias brasileiras de Gilberto Gil, Paralamas do Sucesso, Cidade Negra e Skank. Leia

Bunny Wailer é entrevistado pelo o Jornal Commercio e fala da falta de respeito ao rastafári



"Rastafári não tem a ver com grana, mas com a repatriação para a África e para o Imperador Haile Selassie Jah Rastafári" Bunny Wailer.

Bunny Wailer, sobrevivente, da formação original dos Wailers, com Bob Marley e Peter Tosh, se apresenta sexta 18/11, no Clube Português, no Kaya! Festival, que tem ainda como atrações as bandas Yute Lions (RJ), Caravana do Reggae e Trindade Dub. Contrariado com os rumos que o empresário Chris Blackwell, da gravadora Island, deu aos Wailers e ao reggae, Bunny Wailer (nascido Neville O'Riley Livingston, em 1947), deixou os Wailers, depois no início da carreira internacional do grupo, mas já era uma lenda. Ele não apenas tocou com Bob Marley. Cresceram juntos, na mesma casa. Com  a entrada de Peter Tosh na banda conseguiram sair da favela de Trench Town para levar o reggae e a religião rastafári para o mundo. Bunny Wailer concedeu entrevista ao JC, onde comentou de uma polêmica com o rapper Snoop Dogg, as tretas com os vendilhões do templo do reggae.

JORNAL DO COMMERCIO – Seu último disco, na verdade, uma caixa, foi intitulada Reincarnated Souls. Snoop Dogg tem um filme chamado Reincarnated. O senhor batizou a caixa como uma espécie de resposta a Snoop Dogg?

BUNNY WAILER – Fomos contactado por by Snoop Dogg o contato de negócio não foi correto, e hoje em dia estamos bem avançados nos direitos de propriedade intelectual do Rastafári Millennium Council. É um negócio como outro qualquer os direitos Rastafári.

JC – O senhor fez alguns comentários sobe Snoop Dogg ter usando a religião Rastafári para ganhar dinheiro.

Bunny Wailer – A cultura rasta é uma indústria de uma maneira de viver multibilionária comandada pelo reggae, e a influência dos Wailers, Bob Marley, Peter Tosh e eu mesmo. Então é assunto complexo cuidar de como esta influência é utilizada. No atual estágio da nossa evolução, enquanto a fonte Rastafári devemos ser respeitados pelas leis internacionais e práticas morais, em relação à utilização do conhecimento e expressões da tradição. Não apenas dinheiro. Mas a maneira como alguém que você influenciou está usando este poder e querer determinar quem você é. Rastafári não tem a ver com grana, mas com a repatriação para a África e para o Imperador Haile Selassie Jah Rastafari, O Todo Poderoso. Nós os verdadeiros rastas temos que zelar para ter certeza o comércio não mudará o aspectos fundamentais de nossa cultura e filosofia.

JC – É comum pessoas famosas virem à Jamaica para fazer este tipo de coisa? Quer dizer, usar a religião rasta, o reggae apenas para ganhar dinheiro?

Bunny Wailer - Tudo que é popular atrai, então somos motivo de atração porque vencemos a opressão, a escravidão, a discriminação dos nossos direitos de voltar para a África. Não dispomos, no entanto, posse para tal, portanto o dinheiro devem ser divididos com a nossa cultura da maneira convencional, e no futuro ser administrada por nós.

JC –  O senhor se auto denomina O Sobrevivente. Qual a sensação de ser um dos fundadores de um gênero musical que é tocado no mundo inteiro?

Bunny Wailer – Uma grande responsabilidade já que a música é sabidamente rastafári, então não podemos nos perder na popularidade da música. Como você deve saber os Wailers são o grupo mais pirateado da história da música. Isto pela maneira como o negócio é estruturado fora da Jamaica, onde não temos proteções legais, e pessoas como Chris Blackwell acha que os nossos direitos (N- refere-se ao dono da gravadora Island, que lançou os discos de Bob Marley e dos Wailers)

JC – O Senhor gosta do que as novas gerações fazem com reggae?

Bunny Wailer – Gosto de todos os artistas que disseminam a música globalmente. É tudo a mesma cena pra mim, e não distinguo ninguém em particular. Apenas quero que o que aconteceu no passado não continue ocorrendo. Gosto da música, mas não como os direitos são direcionados e protegidos.

JC – Você e Bob Marley cresceram juntos, quando descobriram que tinham talento para a música?

Bunny Wailer – Introduzi Bob Marley na música, quando minha família mudou-se de Kingston para Nine Miles St. Ann. Fiz uma guitarra com uma caixa, e mostrei a Bob como se tocava to play. Foi meu pai que trouxe o primeiro toca-discos para a comunidade.

JC - O que vocês tocavam e cantavam antes do reggae?

Bunny Wailer – Nós desenvolvemos a industria musical jamaicana do ska para o reggae. Nossos primeiros discos pelo selo do Studio One mostram isto.

JC –  Depois veio Peter Tosh, quando o senhor o conheceu?

Bunny Wailer - Robert e eu, em Trench Town, éramos a extensão de uma família. Tínhamos uma irmã em comum por parte de pai,-, Então vivíamos como irmãos. Peter entrou na nossa vibe em Trench Town.

JC - Os Wailing Wailers tinham um líder na época?

Bunny Wailer – Os Wailers nunca tiveram um líder, o líder era a banda, come se tivesse numa competição, não havia um líder individual. Não tinha a ver com um o indivíduo, mas em como se manter como grupo. De maneira que tudo era determinado pela sonoridade harmoniosa. Todos nós nos sabíamos líderes, como acontece até hoje,

JC - Por que o senhor saiu da banda às vésperas dela se tornar aclamada internacionalmente?

Bunny Wailer – Não acho que sai da banda. Nenhum de nós pensava assim. o que aconteceu foi devido a manipulação de Chris Blackwell/Island Records. Por causa disto é que há tanta confusão a respeito de quem é Bob Marley e os que foram os Wailers. Apenas um nome, Wailing Wailers ou The Wailers. Os grupo era formado por três integrantes que eram iguais nos negócios e na evolução. Porém vieram as muitas influências de Chris Blackwell.

JC - A propósito, o que o senhor acha dos caras que viajam pelo mundo sob o nome de The Wailers?

Bunny Wailer – Todos esses wailers são músicos, não a banda que criou 12 anos de catálogo, a partir de ensaios em Trench Townown in 1962, até Catch a Fire e Burnin na Island.

JC- E a família de Bob Marley, o senhor tem contato com Rita Marley ou os filhos de Bob, há alguma afinidade entre o senhor e eles?

Bunny Wailer – O problema não é a família de Bob Marley, o que Chris Blackwell esquematizou para usar Rita e o espólio de Robert para perpetuar sua fraudulenta conversão da banda.

JC – No Brasil tem muitas bandas de reggae, o senhor gosta de bandas de reggae, ou reggae feito fora da Jamaica?

Bunny Wailer - Sim, adoro o grupo Midnite, com quem quero trabalhar. Adoro tudo o que tem rolado, só é necessário que façam negócio da forma correta.

JC - O senhor sabe que sua majestade Haillé Sellasié esteve aqui no Recife, em 1960, a primeira e única vez em que ele visitou o Brasil?

Bunny Wailer – Não sabia disto, mas certamente vou me inteirar disto quando for ao Brasil, saio daqui a algumas horas da Jamaica. Jah bless.

Fonte: www.jconline.ne10.uol.com.br

HAILE SELASSIE (HISTÓRIA E VIDA)


Haile Selassie (História e vida)




É considerado o símbolo religioso do Deus encarnado, entre os adeptos do movimento rastafári, que conta com aproximadamente de 11 à 15 milhões no mundo inteiro atualmente. Os rastafáris também o chamam de H.I.M., sigla em inglês para "Sua Majestade Imperial" (His Imperial Majesty), Jah, Rás Tafári e Jah Rastafari.

Durante o seu governo, a repressão a diversas rebeliões entre as raças que compõem a Etiópia, além daquele que é considerado como o fracasso do país em se modernizar adequadamente, rendeu-lhe críticas de muitos contemporâneos e historiadores.

Seu protesto na Liga de Nações, em 1936, contra o uso de armas químicas contra o seu povo por parte da Itália, foi não só um prenúncio do conflito mundial que se seguiria, mas também representou o advento do que se chamou de "refinamento tecnológico da barbárie", característica que veio a marcar as guerras do período.

Selassie era um orador talentoso, e alguns de seus discursos foram considerados entre os mais memoráveis do século XX. Suas visões internacionalistas levaram a Etiópia a se tornar membro oficial das Nações Unidas, e sua experiência e pensamento político ao promover o multilateralismo e a segurança coletiva provaram-se relevantes até os dias de hoje

Origens e ascensão

Nascido, Tafari Makonnen, casou-se em 1911 com Wayzaro Menen, filha do imperador Menelik II, assim tornando-se príncipe, ou Ras, em amárico. Tafari significa, por sua vez, indomável. O neto de Menelik II, Lij Iyasu (Iyasu V), tornou-se imperador em 1913, mas foi deposto por uma assembleia de nobres, em conjunto com a Igreja Ortodoxa Etíope, por suspeita de ter se convertido ao islamismo. Assumiu Zewditu, também filha de Menelik II, que morreria em 1930. Mesmo antes da morte de Zewditu, Ras Tafari já havia assumido a regência da Etiópia (em 1917), e foi investido como rei (negus) em 1928. Em 2 de abril de 1930, a imperatriz morreu, e em 2 de novembro do mesmo ano Ras Tafari tornou-se o 225º imperador na dinastia que remontava, segundo a crença, ao Rei Salomão e a Rainha de Sabá. Novamente muda de nome, para Haile Selassie (que significa O Poder da Divina Trinidade) ou, na forma completa, Sua Majestade Imperial, Imperador Haile Selassie, Eleito de Deus, Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judá

O primeiro império

Iniciou então um governo que buscava modernizar a Etiópia, seguindo as linhas gerais traçadas por Menelik II: principalmente trazer tecnologia para a Etiópia e inserir o país no contexto da comunidade das nações. Seu discurso na Liga das Nações, em junho de 1936, sobre a guerra em geral e sobre a invasão da Etiópia pela Itália (1935), é considerado um dos mais belos e coerentes pronunciados por um líder político (o país havia sido admitido na Liga das Nações em 1923, logo após abolir a escravatura). Selassie também deu a Etiópia a primeira constituição de sua história, em 1931.

A invasão da Etiópia pela Itália em 1935 foi uma traição dos acordos celebrados entres esses países no ano de 1928. Também a Liga das Nações não fez sua parte, numa atitude muito semelhante àquela adotada pela Inglaterra e pela França em face a invasão alemã na Tchecoslováquia — com a diferença de que o país invadido não pertencia à Europa, e sim à esquecida África. Benito Mussolini recebeu uma condenação formal da liga, mas foi encorajado pela falta de atitudes desta para com seu ato injustificável. A invasão deflagrou a Segunda Guerra Ítalo-Etíope. Em 1936 Selassie se viu obrigado a se retirar para o exílio na Inglaterra, deixando o posto de imperador.

Exílio

A Itália estabeleceu um governo na Etiópia e tentou controlar os movimentos de resistência através de massacres e segregação. Selassie tentava angariar simpatia pelo seu país, e só veio a consegui-lo quando a Itália se aliou, na Segunda Guerra Mundial, à Alemanha. Com o apoio da Inglaterra, mas contando essencialmente com forças de resistência etíopes e norte-africanas, Selassie retoma Adis Abeba em 5 de maio de 1941. Aos poucos conseguiu afastar-se da influência britânica, mas ao mesmo tempo vem do exílio com novas ideias inspiradas na evolução da Inglaterra.

O segundo império

Com a derrota da Itália na frente etíope, já durante a Segunda Guerra Mundial, Haile Selassie reassumiu o império. Havia tensões na Eritréia, que não se identificava com o restante da Etiópia e rejeitava a soberania desta.

Selassie promove a reforma e recuperação da Etiópia, devastada pela guerra. Institui um imposto progressivo sobre a propriedade de terras. Em 1955 é promulgada uma nova constituição etíope, que institui, entre outras medidas, o voto universal, mas também concentra bastante o poder nas mãos do imperador.

Enquanto em missão diplomática no Brasil, em 1960, Haile Selassie sofreu uma tentativa de golpe, organizada e dirigida por Germane Neway que não teve sucesso, mas polarizou a Etiópia e preparou caminho para um segundo golpe alguns anos depois. Em 1963, Selassie participou da criação da Organização da Unidade Africana.

O golpe militar

O país enfrentou anos difíceis no início da década de 1970. A grande fome de 1972-1973 agravou a contestação ao governo imperial, somando-se aos problemas políticos e à corrupção.

Em 12 de janeiro de 1974 registrou-se uma rebelião militar contra Selassie. Em junho, um grupo de cerca de 120 comandantes militares, formalmente fiéis ao imperador, formou um comitê para exercer o governo. Em 27 de setembro Selassie foi deposto por um golpe militar de inspiração marxista, que instituiu um Conselho Provisório de Administração Militar. Preso pelo novo governo, Selassié veio a falecer em 27 de agosto de 1975, oficialmente por complicações decorrentes de uma operação da próstata. Essa versão é contestada por seus apoiadores e familiares, que entendem que o ex-imperador foi assassinado em sua cama.


Em 1991, após a queda de Mengistu Haile Mariam, foi revelado que os restos mortais de Selassié tinham sido conservados no porão do palácio presidencial. Finalmente, em 5 de novembro de 2000, receberam um funeral da Igreja Ortodoxa Etíope digno, sendo sepultados. A família do cantor Bob Marley esteve presente na cerimônia.

Legado

É reconhecida a influência que Haile Selassie teve sobre o movimento negro, em especial em lideranças do movimento negro, como Martin Luther King e Nelson Mandela. Além disso, Selassie é encarado como um messias por parte de um movimento religioso de origem jamaicana, o rastafarianismo, que crê que Haile Selassie vive, conduzirá os negros de volta à África, e é Deus Vivo.

Discurso de Selassie na Liga das Nações em 1936

Enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada; enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria de qualquer nação; enquanto a cor da pele de uma pessoa for mais importante que o brilho dos olhos; enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida mas nunca alcançada. E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignóbeis que suprimem os nossos irmãos, em condições subumanas, em Angola, Moçambique e na África do Sul não forem superados e destruídos, enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malícia e os interesses desumanos não forem substituídos pela compreensão, tolerância e boa-vontade, enquanto todos os Africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como são no Céu, até esse dia, o continente Africano não conhecerá a Paz. Nós, Africanos, iremos lutar, se necessário, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitória do bem sobre o mal.

Haile Selassie, em discurso na Liga das Nações, em 1936

Reflexo

Esse discurso serviu de inspiração para a canção "War", um dos maiores clássicos do cantor de reggae jamaicano Bob Marley

No Brasil

Na visita de Haile Selassie ao Brasil estourou um golpe de Estado em Adis Abeba; o embaixador Edmundo Barbosa da Silva, secretário-geral do Itamaraty, foi encarregado de transmitir ao imperador a notícia do golpe e levou-o ao aeroporto. Na ocasião, ouviu dele a garantia de que voltaria a seu país e debelaria a insurreição "sem derramar uma gota de sangue". De fato, assim procedeu: mandou executar todos os rebelados na forca

Em Portugal

Selassie foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 28 de Outubro de 1925, realizou uma visita de estado a Portugal em 1957 e foi agraciado com a Grã-Cruz da Banda das Três Ordens a 31 de Agosto de 1959.

Fonte: wikipedia